Em um mundo eternamente provisório, efêmeras letras elétricas nas telas de dispositivos eletrônicos.
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Ago 10
publicado por José Geraldo, às 00:09link do post | comentar

Eu tinha doze ou treze anos e era mais um menino pobre que estudava na escola pública do bairro. Levava uma vida tranquila, em que as emoções maiores eram ver o Supercine nas noites de sábado na televisão, folhear revistas pornográficas, raras e difíceis de conseguir e ir aos bailes de domingo no clube quando minha mãe deixava.

Admirava os mais velhos, achava-os sortudos porque iam nas exposições e traziam histórias de grandes shows e grandes paqueras. Quando me contavam essas coisas eu sentia mais que uma ponta de inveja. Eu queria merecer isso também.

Um dia qualquer de abril uma novata chegou à nossa classe transferida de outra escola. Uma morena bonita, de idade quase a nossa, de cabelos muito negros e ondulados, olhos brilhantes, jeito desenxabido e uma eterna vontade de sorrir. Seu nome era Júlia, e a primeira coisa que notamos foram os cadernos que tinha: não eram de uma garota pobre como nós. Havia nela, porém, algo que nos desarmou logo de início, causando uma estranheza e desconforto: aos quatorze anos, ela era mãe solteira.

Para nós, meninos recém-entrados na adolescência, palavrões e rock’n’roll eram as transgressões que conhecíamos e ela chegava trazendo a vida real que era bem mais transgressora que nossas tolices. De repente nossa falsa rebeldia juvenil não fazia mais nenhum sentido porque não tinha a menor graça sonhar bobagens na hora do intervalo enquanto ela amamentava a pequena Flávia.

Ela era uma boa pessoa. Sincera, honesta, boa de conversa, boa em ciências, ótima em Geometria. Estava sempre disposta a nos ajudar a entender a matéria.

Mas ainda assim, pelas costas lhe chamávamos de nomes feios. Na verdade, buscávamos uma categoria para incluí-la. Houve até uma discussão a esse respeito certo dia quando a turma se reuniu para jogar adedanha. Tudo começou quando o Vágner se referiu a ela como “a putinha da 6ª C”.

— Não, não. Ela não é uma “puta”, é só uma piranha — afirmou o Adílson.

— Não — discordou o Flávio — ela não dá para todo mundo, então não pode ser uma piranha.

— Também não é vadia, nem vagabunda, porque tem família — adicionou o Carlos Augusto.

Mas preconceitos são duros. Não se pode quebrá-los de uma vez só. Apesar da falta de acordo, ainda saímos sem chamá-la simplesmente de “Júlia, nossa colega da 6ªC”. Todos compartilhávamos de um mesmo medo: o de nos deixarmos fascinar por ela, que era bela e estava só.

Quando estava com a filha, a situação era ainda mais estranha: uma menina com outra nos braços. Uma menina que brincava conosco, conversava sobre os mesmos programas de televisão, que gostava dos mesmos grupos de rock mas que era mãe na hora do intervalo como se isso fosse algo natural (e na verdade devia ser).

Foi difícil até para mim, que vivi aquele momento, recuperar da memória a exata sensação de perplexidade e culpa que me assaltou quando pela primeira vez Júlia despiu um peito para amamentar. Para um adolescente que nunca vira uma mulher nua, era um embaraço completo. Ao mesmo tempo sabia que era algo sem maldade, quase angelical; mas como evitar o embaraço ao ver a criança sugando o seio materno, a excitação de olhar (ainda que de relance) as formas redondas do seu peito?

Uma menina como as outras sim, mas com uma história nas costas e uma criança nos braços.

Às vezes tenho a impressão de que ela sabia do desamparo que isso nos causava e fazia questão de se expor, como se nos quisesse incomodar com sua presença. Amamentar no pátio! Não sei se é maldade minha ou se ela realmente fazia questão de manter o seio à vista por mais tempo que o necessário!

Mas como sempre acontece com qualquer novidade, o tempo fez com que deixasse de sê-lo. Depois de algumas semanas de crise a situação entrou nos eixos da normalidade e começamos a ter por ela apenas o interesse natural, sem sobre-excitações ou ereções ao vê-la despir-nos o sorriso que imaginávamos ser o mesmo que dera ao homem com que fizera amor vezes suficientes para pôr no mundo a Flavinha. Aos doze anos de idade é difícil entender que a gravidez não é algo que precisa de insistência e acúmulo de forças para acontecer, que tudo pode vir em uma vez.

Normalizou-se a situação ao ponto de rirmos do que tinha havido nos primeiros dias. De como reagíramos mais ou menos como se ela fosse uma pigmeia antropófaga de Marte. Os constrangimentos ocasionais continuavam apenas graças a uns incorrigíveis que não aceitavam que ela, de repente, fosse “o aluno mais experiente da classe”, a pessoa a quem às vezes fazíamos as perguntas constrangedoras, em vez deles.

Júlia administrou bem seu reinado, mas ele durou pouco. Começou a cair no começo do segundo semestre quando as aulas de Programas de Saúde foram substituídas por Educação Sexual. Era impossível não usá-la como exemplo, difícil não perguntar-lhe sobre as coisas que a professora Rosângela, com tanto cuidado, nos explicava. E cada vez que a professora dizia algo a respeito de alguma prática sexual, havia quem desviasse o olhar em direção a ela, como se ela devesse ser um Kama Sutra em cima de pernas.

Então veio a prova de inglês do terceiro bimestre. Metade da turma ainda pendurada sob a ameaça de ficar em recuperação no fim do ano foi lhe pedir ajuda.

Ela concordou em organizar um estudo em grupo. Mas não era bem isso que haviam ido pedir-lhe. E cola na prova ela não aceitou dar.

Quando saíamos da sala, no quinto horário, já prevendo a nota que levaríamos, todos mentalmente a xingávamos, ainda que injustamente. No dia seguinte os olhares que lhe dirigimos no intervalo foram duros, metálicos, cortantes.

Ao voltarmos para a sala de aula alguém havia cuidadosamente escrito no quadro-negro em grandes e graves letras de forma: “Júlia, a puta da 6ªC, ligue 539–1230 sábado à tarde. Servisso (sic) completo, até chupa.”

Júlia desatou a chorar quando viu aquilo escrito no quadro: era demais para ela, àquela altura do ano, enfrentar uma situação daquelas. A orientadora educacional foi chamada pela professora, que fez questão de não apagar o quadro.

— Não pensem que isso fica impune — disse Dona Rita, a supervisora — hoje ainda vamos descobrir quem escreveu isso e esse aluno será expulso da escola, seja quem for. Nós não vamos admitir um cafajeste entre nós.

— Alguém aqui viu quem foi? Quem quiser denunciar ganhará dez pontos na matéria em que escolher.

— Foi o Guto, professora — indicou prontamente Fabiana, a beldade convencida da classe.

Guto era o único aluno negro da sala. Era alguns meses mais jovem que a maioria de nós, tinha a cicatriz de uma operação de lábio leporino e o hábito de falar pouquíssimo. Era pobre, mas apenas tão pobre quanto a maioria de nós éramos. Era um aluno mediano e uma pessoa inofensiva.

Guto levantou-se, lívido como uma estátua de cera, com os olhos cheios de lágrimas:

— Pelo amor de Deus, Dona Rita! Não fui eu!

Ele olhou para todos nós, como se pedindo socorro. Naquele momento me senti a pior das criaturas sobre a Terra, pois quem tinha escrito a ofensa no quadro fora eu.

Enquanto Guto tremia de nervoso eu comecei a perceber o tamanho da monstruosidade que havia causado e sabia que tinha de tentar consertar. Mas não podia me expor a ser expulso. Meus pais nunca me perdoariam.

— Dona Rita, não foi o Guto! — disse eu.

— Então quem foi?

— Não sei quem foi. Sei que não foi ele, porque nós estávamos procurando um livro na biblioteca. Moby Dick.

Guto olhou para mim com olhos arregaladíssimos. Ele não havia estado comigo na biblioteca, é claro. Ao dizer o que disse eu indiretamente confessei, a ele somente, que havia sido o responsável pelo crime. Mas havia saído em sua defesa, ele tinha de confirmar o que eu dissera, absolvendo-nos a ambos, ou então ficaríamos um contra o outro — e ele sabia qual seria o fim da história. Imperdoavelmente eu joguei o preconceito a meu favor para me salvar da expulsão, ainda que no fundo de meu coração quisesse também impedir que Guto fosse expulso.

Claro que eu não havia dito qualquer coisa. Eu havia estado na biblioteca e havia mesmo procurado por Moby Dick sem encontrar. E ali estava tão cheio que Dona Rosa, a bibliotecária, não seria nunca capaz de dizer quem estivera lá ou não.

— Vocês ficaram, então, o intervalo inteiro na biblioteca procurando um livro?

— Ficamos, Dona Rita.

— Por que vocês não acharam, Guto?

Guto foi mais esperto do que nunca. Aproveitou para safar-se da confusão sustentando a história.

— Não estava lá, deve ter sido emprestado.

Eu podia sentir a raiva em suas palavras. Ele sabia que ao mesmo tempo em que se salvava ao confirmar o que eu dissera estava também acobertando o verdadeiro criminoso. Eu sabia que ele nunca me perdoaria.

— Então, Fabiana — perguntou Dona Rita — por que você diz que foi o Guto?

Fabiana não tinha resposta. Simplesmente acusara Guto porque não lhe agradava. Não imaginara que ele tivesse um álibi e agora era ela mesma que estava sob suspeitas. Pressionada diante da classe, não conseguiu nem falar mais e se pôs a chorar.

— Venha comigo, Fabiana.

Nenhum de nós saiu em sua defesa. Fabiana não era a mais querida das colegas, tinha certo hábito de dedurar-nos quando fazíamos coisas erradas e um ar de superioridade que nos incomodava. E também imaginávamos que nada de mau lhe aconteceria porque era filha de uma das professoras.

Fabiana não veio estudar no dia seguinte e disseram que havia sido expulsa. No momento inicial ficou aquele mal-estar, uma vaga sensação de culpa. Depois fomos aos poucos nos acostumando à ideia de não a termos mais entre nós. Por alguns dias as coisas se mantiveram calmas e tudo voltou quase ao normal, a própria Júlia se sentindo um pouco desagravada pelo acontecido. Até que um dos Alexandres (havia três em nossa classe) veio com a notícia, na hora do intervalo:

— Tenho uma bomba!

— Que bomba, Xandão? — perguntei.

— Sabe a Fabiana?

— A que foi expulsa? — perguntamos vários de nós.

— Não foi expulsa coisa nenhuma.

— Como assim? — insistiu Aninha.

— Está no Colégio das Irmãs. Foi transferida.

— O que?! Ela faz uma coisa daquelas e ganha da mamãezinha uma transferência para a escola mais chique da cidade!? — manifestaram-se as meninas em coro.

Júlia desmanchou sua cara alegre de uma vez por todas. Ainda que tentássemos ser solidários, era difícil contornar o fato terrível de que a pessoa que todos imaginavam culpada pela horrível ofensa de que fora vítima estivesse agora estudando numa escola particular, vivendo normalmente sem pagar pelo mal feito.

Depois daquilo as coisas ficaram cada vez mais difíceis. Finalmente o ano acabou, com um clima terrível na classe. Principalmente porque chegou aos ouvidos da direção da escola que todos sabíamos a verdade.

No último dia de aula alguém escreveu, com letras enormes, numa parede dos fundos:

“Injustiça! Fabiana no C.I.”

Esse alguém fui eu. Fiz questão de escrever com letras parecidas com as mesmas que pusera no quadro-negro meses antes. Esperava que descobrissem que havia sido eu e me expulsassem. Porque ainda que a atitude da direção tivesse sido vergonhosa ao não expulsar a Fabiana, ela era inocente, no fim das contas.

A nova inscrição fez algum sucesso porque todos imaginaram que era uma acusação direta à direção da escola. Ninguém percebeu a semelhança entre as letras. O mal estava feito e não havia como desfazer.

Formou-se um certo tumulto diante daquela parede, como se a própria mão de Deus houvesse ido lá e inscrito em fogo “Mane, Tecel, Peres”. Era fascinante poder estar participando de um desacato à autoridade.

A Diretora em pessoa veio. Com seu corpo gordo e seus óculos escuros. Sua cara amarrada e suas sandálias de couro negro com fivelas douradas.

— Quem escreveu isso?

Um silêncio se formou.

— Ninguém sai daqui hoje enquanto eu não descobrir.

O silêncio continuou.

E continuou por duas horas. De repente formou-se entre nós uma solidariedade inquebrantável. Ninguém sabia quem escrevera, mas todos sabiam de que injustiça se estava falando.

Por fim, já próximo das duas horas da tarde, uma multidão de pais se formara fora dos portões, a Diretora teve que ceder e nos deixou sair.

Coincidentemente nem minha mãe nem a de Júlia estavam lá fora nos esperando. Então fomos para casa conversando, pelo menos até a minha casa, que ficava mais perto que a dela.

— Está difícil aguentar esta vida.

— Não ligue para isso, quem fez aquilo foi um idiota.

— Não. Todos os meninos ou têm pena de mim ou pensam que sou uma puta.

Doeu ouvi-la dizer isso.

—Nem todos, eu me acostumei com você e já entendo que você é uma colega como as outras.

—Ah, não. É muito comum achar quem ache normal eu ser mãe. Fazer amigos é a coisa mais fácil do mundo.

—Então do que você está reclamando?

—É porque os mesmos que sorriem para mim não querem namorar…

O preconceito é uma erva de raízes tão fortes e fundas que não adianta arrancar e jogar num canto da horta: ele pode se enraizar outra vez e retomar o terreno. Mais que força de arrancar, é preciso persistência de vigiar que ele não volte e vença.

— Você é linda. Não deve ter problemas com isso.

— Em toda escola que vou é a mesma coisa: me rejeitam no começo, depois faço alguns amigos, acontecem algumas coisas desagradáveis, me apaixono em vão, logo fica insuportável continuar.

— Mas você faz amigos. Tenha certeza.

— Nem tanto. De cada escola em que estudo, o máximo que levo de amizades é uma.

— Espero que dessa escola eu seja essa amizade.

Imediatamente percebi, pela expressão de desastre que se formou no seu rosto, que não era exatamente esse o papel que ela esperava de mim.

— Espero que você goste de mim como gosto de você — foi tudo o que me respondeu.

E desceu a rua lentamente, levando um sorriso enigmático que eu já decifrara. Fingi que nada tinha acontecido e entrei em casa. Passei férias tranquilas, sem pensar em nada daquilo. Era fácil pensar que nada acontecera.

Em fevereiro ela não voltou conosco. Já era de se imaginar. Muitos nem perceberam o fato, ou fingiram. Mais do que qualquer outro eu me sentia estranho. Resolvi então visitá-la. Lembrei que gostava de poesia e levei um exemplar da “Antologia Poética” do Manuel Bandeira debaixo do braço. Esperava com ela minorar o dano que causara.

Pensei um pouco antes de tocar a campainha. Providencialmente parado ao portão. Quando chamei ela veio, me sorriu lindamente e me convidou decentemente a entrar. Conversamos acho que uns vinte minutos. Não suportei mais. A pequena Flávia brincava entre as pernas dela e eu me sentia, naquele momento sim, O Estranho. Eu tinha quatorze anos de idade e estava começando a descobrir que o mundo não era fácil de controlar.

Deixei o livro. Ela sorriu e prometeu ter todo o cuidado do mundo. Eu saí sentindo as flechadas de seu olhar em minhas costas e, de mãos nos bolsos, trotei pela rua até a esquina antes de olhar e não vê-la. Culpa talvez.

Um livro é uma ótima desculpa para se voltar a uma casa. Por isso eu às vezes ia buscá-lo. Sempre que me sentia só e o mundo parecia não ter ninguém para conversar em segurança.

Júlia me recebia, oferecia café e conversávamos durante horas sobre festas, namoros, lágrimas e poesia. Principalmente sobre lágrimas e poesia, assuntos que se tornaram para nós especialidades requintadas. Nossa conversa era sempre madura e contida. Muitas vezes tive vontade de tomar alguma iniciativa — mas sempre continha meu entusiasmo e em algum momento eu sentia que devia sair. Sempre fazia questão de esquecer o livro lá, e ela sempre fazia questão de não me alertar para isso. Já são dezenove anos desde que a “Antologia Poética” de Manuel Bandeira saiu pela primeira vez de minhas mãos e a essa altura eu já nem me lembro bem dos tipos em que estava impresso.

Sempre que estava com Júlia, eu pressentia que, se realmente ela leu o livro, já fazia uma eternidade que sequer o tocava. Acredito que só o tinha em suas mãos brevemente quando eu ia “buscá-lo”.

E nesse rumo foram as coisas entre nós por anos. Longos anos em que nada de real aconteceu no mundo, apenas as coisas que vimos pela televisão.

Depois dos dezoito ela deixou de morar com os pais. Alugou apartamento, pôs a filha na escola e começou a trabalhar. As coisas estavam mais fáceis: Flávia já tinha seis anos e ela ainda podia contar com o apoio dos pais.

Fiquei sabendo por um recado que havia se mudado. Não deixei de visitá-la logo. Parece que ela gostava que eu fosse buscar o livro de vez em quando.

Numa das vezes em que fui, tempos depois, encontrei um outro lá. Era um homem um tanto mais velho que ela, mas de um jeito simpaticão e engraçado. Tratou-me bem e tivemos uma conversa bastante divertida.

—Agora eu estou bem de marido — disse Júlia — esse aí até cozinha melhor do que eu.

A pequena Flávia sorriu e adicionou:

— O arroz dele não é grudento!

Não fiquei por muito tempo — e nem havia como. Por isso o livro continuou lá. Isso foi há nove anos e depois disso eu fiquei todo esse tempo sem tentar reavê-lo.

Esses nove anos foram nove anos amargos para mim. Foram anos em que estive no Céu e no Inferno. Tive um bom emprego, tive vida mansa, me casei e tive filhos. Divorciei-me no meio de uma crise e perdi meu emprego. Agora volto a morar com meus pais e não tenho mais carro. Trabalho em um emprego de baixo salário e estou recomeçando a vida.

Dia desses reencontrei Júlia. Está ainda uma linda mulher. Apenas mais gasta pelos sofrimentos da vida e com um sorriso menos doce. Não me pareceu que a vida lhe houvesse sido tão benevolente quanto comigo foi.

Ela me sorriu e perguntou se buscaria o livro, enfim. Eu sorri de volta e disse que estava precisando dele:

— A poesia do Mário passou a ter mais a ver comigo desde que me separei da Estela. Eu tenho precisado de ler.

Ela olhou para o solo e discretamente sorriu, saboreando bem as minhas palavras.

— Eu também estou precisando de ler coisas novas.

— Novidades sempre fazem bem.

— Nem todas, algumas coisas velhas precisam ser cultivadas até que um dia floresçam.

Olhei para o solo e discretamente sorri.

— Principalmente — continuou ela — porque as coisas novas as vezes fazem a gente perder tempo sem razão.

— Posso te emprestar as “Obras Completas” do Drummond.

— Ah, eu adoro o Drummond.

— Só que não tomo mais café. Agora tenho gastrite.

— Eu faço um chazinho de menta que é uma delícia.

— Como vai a Flávia.

— Com dezenove.

— É, eu sei.

— Nem mora mais aqui, está em Juiz de Fora fazendo faculdade de odontologia.

Arregalei os olhos, agradavelmente surpreendido.

— Que bom!

— Minha tia está ajudando.

— Você me espera no domingo?

— Claro, não tenho pressa.

Sorri apenas e disse:

— Domingo, então.

20 de outubro de 2007


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