Em um mundo eternamente provisório, efêmeras letras elétricas nas telas de dispositivos eletrônicos.
21
Fev 13
publicado por José Geraldo, às 11:05link do post | comentar | ver comentários (1)
Bem, sacode o negócio agora, menina (sacode o negócio)
Rebola e dá um gritinho (rebola e dá um gritinho)
Vem, vem, vem, vem cá, menina (vem cá, menina)
Vem cá fazer a coisa se mexer (fazer a coisa se mexer)
Bem, fazer a coisa se mexer (fazer a coisa se mexer)
Você sabe que você é muito boa (é muito boa)
Você sabe que você me bota para andar (me bota para andar)
Do jeito que eu sabia que andaria (eu sabia que andaria)

Bem, sacode o negócio agora, menina (sacode o negócio)
Rebola e dá um gritinho (rebola e dá um gritinho)
Vem, vem, vem, vem cá, menina (vem cá, menina)
Vem cá fazer a coisa se mexer (fazer a coisa se mexer)
Você sabe rebolar, novinha (rebolar, novinha)
Você sabe rebolar tão direitinho (rebolar tão direitinho)
Vem cá rebolar mais pertinho (rebolar mais pertinho)
E me deixa saber que você é minha (saber que você é minha))
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

Desafio trollagem da semana. Quem compôs esse funk proibidão aí e quem gravou a versão mais famosa. Quem adivinhar ganha um exemplar do e-book "A Casa no Limiar".

17
Jul 12
publicado por José Geraldo, às 22:00link do post | comentar
  1. Shadow of the Hierophant (Steve Hackett). Guitarrista «pouco brilhante» que foi praticamente posto para fora do Gênesis antes que ele, liderado por Phil Collins, se trans­formasse numa imensa máquina de ganhar dinheiro, com um inexplorado potencial de produção de bonequinhos fofuchos, Hackett estreou na carreira solo com um álbum de encher os ouvidos. Um álbum que eu possui durante oito anos e nunca tinha ouvido. Hoje sei lá por que cargas d'água resolvei pô-lo para rodar e meu queixo caiu. Shadow of the Hierophant («A Sombra do Sacerdote», ou algo assim) é uma longa e variada peça musical de onze minutos de duração caracterizada pela extrema beleza de cada acorde, de cada frase musical, de cada nota desferida por cada dedo. Fecha com chave de platina um álbum pouco ouvido e hoje cada vez menos conhecido de um artista que vai morrer no anonimato sem que a juventude saiba de seu talento (mas sabe fazer o lelelê).
  2. Orgasmatron (Motörhead). Sempre tive um certo preconceito contra esse grupo. Primeiro por causa da obscura história de como Lemmy Kilmister (baixista e vocalista) foi expulso do Hawkwind, um outro grupo de que eu costumava gostar (e hoje apenas detesto moderada­mente), e segundo porque certas capas de álbuns deles são de um mau gosto que devia até ser crime. Mas quando ouvi essa porrada no YouTube, por indicação de um amigo, eu percebi que preciso conhecer melhor o trabalho do Motörhead. Não tem nada a ver com a sutileza musical e a beleza estética do trabalho de Hackett, mas Lemmy manda bem a sua mistureba singela de poucos acordes, melodias grosseiras, letras políticas, vocais roufenhos e perfeita sincronia com a rebeldia dos anos oitenta.
  3. Solar Musick Suite (Steve Hillage). Outra que dormitou no meu computador durante quase uma década sem que eu a ouvisse. Os vocais adolescentes de Hillage, acompanhados por músicos de primeira (companheiros seus no porra-louca Gong) e por uma guitarra econômica, mas certeira, dão o tom desta peça mística, melodiosa, mas ao mesmo tempo provocativa e interessante. O motivo pelo qual demorei tanto a criar coragem de ouvir esta canção é justamente o Gong, grupo interessante, mas cujo trabalho não me interessa com muita frequência justamente por ser louco demais (quem duvida procure no YouTube por uma canção chamada «Flying Teapot»). Mas a carreira solo de Hillage é mais comportada e até, ouso dizer, melhor.
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18
Mar 12
publicado por José Geraldo, às 10:00link do post | comentar

Este post foi escrito originalmente no sábado, mas agendado para hoje, domingo, para não encavalar com o outro que já havia sido escrito ontem. Mas tive de escrevê-lo logo após porque o assunto era urgente, não podia ficar para hora melhor, não havia hora melhor. Ontem, sábado, assisti de novo uma peça perdida de meu passado: o dia em que entrevistei Andy Latimer.

Vamos por partes. Andy Latimer, para quem entende de rock progressivo, é um dos nomes mais queridos e importantes da história do gênero. Guitarrista, flautista, vocalista principal e único membro permanente do grupo «Camel», ele é uma lenda viva da música, embora não seja tão famoso quanto outros que tiveram mais sucesso nas paradas. Andy Latimer esteve em turnê no Brasil no ano 2001 e uma das paradas da turnê foi em Cataguases. Sim, você leu certo. Cataguases recebeu um show de um dos maiores grupos de rock progressivo de todos os tempos, lá no Cine Edgard. E eu entrevistei Andy Latimer. Se você consegue acreditar que o Camel esteve em Cataguases, talvez consiga crer que eu fiz mesmo a entrevista.

A loucura foi responsabilidade de Rodrigo «Nômade» Rocha, empresário cataguasense, proprietário da Voltage, extinta loja de discos onde, por muito tempo, eu deixava meu dízimo (mínimo de 10% do salário gasto comprando obras primas da música). Rodrigo descobriu que trazer artistas de rock progressivo renomados não era difícil: além do cachê ser razoavelmente barato, eles em geral eram pessoas acessíveis e dispostas a aventuras, como encarar horas de estrada para ir tocar em lugares obscuros no interior do Brasil.

Infelizmente pouca gente acreditou na época. Sei disso porque ajudei a divulgar o evento e quando eu começava a falar muita gente achava que eu estava brincando. Mas Latimer veio a Cataguases, hospedou-se no Bevile Hovel com a banda, andou a pé pela rua desfilando seus famosos pés tamanho 46 (motivo do apelido “Sasquatch”). E na noite de 22 de março, às 21h00, subiu no palco do Cine Edgard para mais de oitenta minutos de puro delírio musical na presença de uma platéia de cerca de 100 pessoas mais ou menos (que nem chegou a dar metade da lotação).

Acredito que se Rodrigo morresse sem ter feito mais nada na vida ele já teria deixado algo para ser lembrado: levar o Camel a Cataguases foi uma realização estupenda. Feita na base do puro amor à música, sem pensar em ganhar dinheiro, na base do amadorismo mesmo. Isso é algo que deve dar orgulho. Eu, por exemplo, tenho orgulho de minha pequena parte desempenhada: fiz o cartaz, o fôlder (cuja frente, contendo um autógrafo de Latimer, ilustra esta postagem) e fiz uma entrevista com Latimer, que tenho agora transcrita em DVD a partir do surrado VHS que guardei por onze anos na gaveta — e que um dia vou postar no YouTube.

Claro que a entrevista ficou uma porcaria. Eu não tenho boa dicção (nem em português, quanto mais em inglês), não sou repórter, não tinha nenhum roteiro prévio e jamais aparecera na televisão. Então, de repente, eis que me aparece uma equipe da TV Minas que ia fazer uma reportagem sobre o evento. Eles tinham vindo sem intérprete e precisavam de alguém para fazer o programa. Alguém me indicou como um «carinha que manja muito de inglês» e eu, num acesso desses de insanidade que tenho de vez em quando, topei a parada. Não havia roteiro, havia quinze minutos para o fim da passagem de som. Rabisquei algumas perguntas em um pedaço de papel qualquer, com sugestões de pessoas que estavam por perto, passei o pente no cabelo mal e mal e me sentei ao lado de Andy para a entrevista, tentando parecer natural, tentando ignorar a luz forte dos refletores e a presença incômoda daquela luzinha vermelha da câmera, que indicava que estavam me gravando.

Andy percebeu o amadorismo da situação e deve ter se perguntado onde, diabos, estava com a cabeça quando topara aquele show, mas mesmo assim concedeu-nos vinte e cinco minutos, respondendo a perguntas que já devia ter respondido cem vezes ou mais em toda a vida. Mas algumas pessoas me disseram que eu fui bem, apesar de gaguejar várias vezes e ter congelado por dez segundos em certo momento. Fui bem porque resisti a tietar e consegui interagir com Andy, mudando as perguntas de acordo com o contexto das respostas. No fim, apertei a mão de meu ídolo e fui pedir autógrafos.

Esta é uma das histórias que levo pela vida toda, como demonstração inequívoca de que temos de estar preparados para as oportunidades que aparecem, sem medo da luzinha vermelha acesa, sem medo de parecer ridículo como o meu cabelo despenteado.

Naquela noite o Camel tocou com:Andy Latimer: guitarra, vocais, flautaColin Bass: contrabaixo, vocaisGuy LeBlanc: tecladosDennis Clément: bateria

Não tenho o set list, mas sei que o bis foi “Lady Fantasy” (vídeo compartilhado abaixo, com muito medo do ECAD).

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21
Jan 12
publicado por José Geraldo, às 15:54link do post | comentar

Nesta semana em que «Luiza voltou do Canadá» e o estupro da inteligência do povo pela Rede Globo ficou mais do que evidente houve um fato a que pouca gente deu importância, mas que se tornou emblemático do estado de indigência mental em que o país segue mergulhando de cabeça e sem capacete: a pedrada que alguém atirou na testa do Pê Lanza, baixista/vocalista do «Restart».

Diz o ditado que a ocasião faz o herói, esta ocasião em particular tornou o roqueiro colorido um herói improvável diante de seus fãs e, em minha modesta opinião, deu-lhe moral diante de todo e qualquer fã de rock'n'roll do planeta. Imagino que o boçal que deu a pedrada imaginou que Lanza entraria em pânico e deixaria o palco para tomar seu leite de pêra com ovomaltino, mas ele, em vez disso, chamou o «valentão» para acertar as contas nos bastidores, disse que o sangue que saía era pouco, pois ele tinha mais para dar pelos fãs, e cantou mais uma música antes de encerrar o show. Há controvérsias se o show já tinha acabado e ele foi acertado na hora dos aplausos ou a pedrada foi aleatória. Mas certamente ver o rapaz ainda cantando a última canção com a testa escorrendo «melado» deve ter aumentado ainda mais a histeria das fãs do grupo. E, tenho de confessar, até eu virei fã do «Restart» depois dessa.

Devo explicar, porém, que tornar-me fã do «Restart» não significa que passei a gostar de sua música. Continua achando-a ingênua e tosca, tanto quanto antes. Tornei-me fã da atitude e da coragem dos membros da banda, especialmente Lanza. No momento em que aquela pedra acertou a sua testa aquele garoto virou homem. Porque «homem» não é um idiota que se esconde na multidão para tacar uma pedra na testa de um músico porque não gosta do trabalho dele. A única coisa com que os artistas podem ser alvejados é a vaia. Vaiar vale, mas atirar uma pedra, não. Isso algo que não se atira em ninguém. Homem é o Pê Lanza, que desafiou o covardão a acertar as contas nos bastidores, ignorou o próprio sangue que corria, disse que tinha mais uma música para cantar — e cantou. Se ele tivesse saído do palco chorando, como talvez o apedrejador tivesse imaginado, nunca mais poderia subir em outro para cantar. Nem ele e nem ninguém, pois não há intérprete que seja unanimidade. Quem nunca tomou uma vaia que discorde de mim. Se tivesse se acovardado, teria «dado razão» ao imbecil apedrejador, outros macacos apareceriam, atirando pedra ou merda. Mas ao agir como agiu, fez com que a mão apedrejadora se acovardasse, fez com que os fãs tivessem a alma lavada e fez com que muito roqueiro que não gosta do som do «Restart» passasse a respeitar o grupo por sua atitude. Porque a atitude de Lanza foi totalmente rock'n'roll. Lembra Joan Baez grávida desafiando a polícia ao fazer shows para arrecadar fundos para a defesa dos desertores do Vietnã. Lembra Gary Thain (aliás, também um baixista) eletrocutado no palco durante um show do Uriah Heep. Lembra Jim Morrison mostrando o pênis para a plateia em desafio a uma ordem judicial que considerava «obscena» uma de suas letras. Lembra a volta triunfal do AC/DC após a morte do vocalista, quando muitos pensaram que o grupo «tomaria juízo» após ter sido «castigado por Deus» pela letra de «Highway to Hell» (Rodovia para o Inferno).

Mas indo além do heróico ato de Pê Lanza, vale mais a pena analisar a burrice que se expressa na pedra. Apedrejar é uma atitude retrógrada. Apedrejar é uma forma de legar ao anátema. A morte por apedrejamento era destinada a pessoas que eram tão desprezadas que até mesmo tocá-las para (direta ou indiretamente) um estrangulamento, esfaqueamento ou lanceamento seria inaceitável. A pessoa que atirou aquela pedra procurou demonstrar um grau superlativo de desprezo pelo «Restart» e pelo que ele representa. Mas o grupo merece tudo isso?

Obviamente nenhum fã de música boa encontrará no grupo motivos para apreciação. Suas canções são primárias, suas letras são ingênuas, seu visual é adolescente e sua ideologia é mais vazia que uma cuia. Mas eles não tem pretensão de serem novos mestres da música, não pretendem filosofar em suas letras, não vieram ditar moda e não querem ensinar nada a ninguém. Eles estão apenas ganhando a vida honestamente fazendo o que sabem, preenchendo um nicho — o de grupo musical para adolescentes. Não há nada de errado nisso. Eu não gosto porque não sou adolescente, mas talvez gostasse se tivesse quatorze anos. Alguém, por acaso, acha errado ter quatorze anos?

Apesar de sua falta de qualidade, porém, a música que o «Restart» faz é muitíssimo menos desagradável do que a maioria do resto da música popular de hoje. Não se compare o roquinho dos garotos com as obscenidades grosseiras e animalescas do funk e de certo subgênero do «sertanejo» que não merece ser chamado de universitário, mas de «mobral». Os adolescentes que gostam do «Restart» vão crescer e gostar de outras coisas. Mas há marmanjos que fazem esses gêneros «das cavernas» e não estão levando pedras na testa. Será que o que faltou ao «Restart» foi falar de putaria? Será que suas letras fossem pontilhadas de palavrões e de convites a «pegar» e «trepar» eles teriam respeito? Fazer música ruim pode, desde que seja obscena? Eu prefiro uma música que é apenas ruim, mas não contém ofensividade. Eu prefiro o «Restart». E vou comprar um disco deles para minhas filhas. Em homenagem ao Pê Lanza. Que pode não tocar nada, mas se ombreou em atitude com os caras citados acima. Garoto, você se mostrou homem. E um homem roqueiro sem que ninguém possa contestar. Agora, sinceramente, você já está crescendo. Trata de aprender a cantar e tocar melhor esse baixo, porque logo, logo vai ficar difícil manter-se ídolo das meninas e você vai precisar de mostrar música para vender disco. Você não quer virar um Júnior, né?

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23
Abr 11
publicado por José Geraldo, às 19:16link do post | comentar | ver comentários (1)

Nós, fãs do bom e velho rock'n'roll, sempre soubemos da verdade, mas faltava uma comprovoção científica que nos apoiasse contra a grande mentira contada pelos breganejos, de que o rock é música “deprê”.

Aqui está uma e mais outra referência de estudos científicos que comprovam que, quanto mais estações tocando música sertaneja em determinada região, maior a taxa de suicídio!.

E para os que falam mal do rock, o recado do Nazareno: Calada!


08
Set 10
publicado por José Geraldo, às 20:03link do post | comentar

Em 2003 já era difícil ter paz sonora neste mundo em que o ruído supre a carência de atenção do indivíduo face à indiferença de uma sociedade numerosa e apática. Sete anos depois, mesmo o horrendo sucesso «musical» tendo sido esquecido, as ideias e os sentimentos continuam atuais como nunca:

O meu vizinho de frente comprou um toca-discos. Seria um acontecimento banal se hoje em dia este simples eletroeletrônico não se tivesse transformado num equipamento perigoso que pode ser usado para o mal. E infelizmente a potência do aparelho é inversamente proporcional à cultura e à educação do proprietário.

Não o vi chegar, por isso assustei-me quando ouvi aqueles ruídos e batidas que faziam fundo à voz amarfanhada de alguém que declarava sem misericórdia que eu estava dominado, que todos estávamos dominados!

A princípio pensei que havíamos sido invadidos, quem sabe por alguma raça de bárbaros, por dominadores marcianos ou mercenários ianques. Ou então que o crime organizado resolvera, enfim, substituir o confuso e obsoleto poder público. Após o susto inicial, reuni coragem e cheguei a janela. Meu vizinho, juntamente com alguns amigos estava sentado à calçada enquanto um toca-discos reluzindo de novo se exibia de dentro de sua sala para a rua vociferando ameaçadoramente em centenas ou milhares de watts P.M.P.O.

Por horas a mesma música se revezou consigo mesma na preferência daqueles rapazes, atritando com a minha sensibilidade até o limite extremo. Eram já sete e meia da noite de sábado e eu não suportava mais que gritassem que eu estava dominado porque me considero um sujeito indomável, ou sonho sê-lo.

Saí então de casa, como se for à rua fosse uma atitude capaz de contornar o intolerável da situação, já que não era plausível ir até o vizinho e pedir-lhe a fineza de ouvir a sua “música” em volume urbanamente aceitável porque hoje em dia as pessoas não são mais razoáveis, parece que se tornaram incapazes de compreender qualquer coisa que lhes diminua o terreno e um pedido dessa natureza poderia ser respondido com grosseria, com uma agressão ou com um recrudescimento do já insuportável volume.

Minha única possibilidade de não ser dominado seria ter força suficiente para derrotá-los a todos em uma luta corporal e destruir o demoníaco instrumento de ódio que me impedia de gozar do ócio de sábado dentro de minha própria casa. Claro que eu também poderia fugir, e foi o que tive de fazer.

Eram cerca de oito horas e trinta minutos quando cheguei ao centro da cidade, andando, é claro, sem a mais tênue sombra de pressa. No meio da avenida encontrei um amigo e nos sentamos para tomar umas cervejinhas em um barzinho sossegado ao som da boa e velha MPB, que anda ganhando mofo e perdendo qualidade a cada novo fenômeno não descoberto que faz concurso público em vez de gravar outro disco. Mas a companhia foi somente por uma cerveja, pois meu amigo era casado recente e sua esposa não aceitaria facilmente que permanecesse pelas ruas até altas horas sozinho no sábado.

Fomos juntos até a esquina, onde nos despedimos e voltei a andar a esmo pela rua, buscando distração e companhia. Minutos depois estava no centro nervoso da noite cataguasense e não estava bem. Perambular pelas ruas à noite perdeu o sentido: em vez de ser divertido, tornou-se um desprazer perigoso. Ao virar uma esquina dei de frente com três rapazes enrolando um «baseado». Fingi que não vi — mas vi — e continuei andando para não chamar a atenção. Na esquina meninas precoces contavam aventuras sexuais em alta voz para quem quiser ouvir. Um grupo de bêbados dizia vulgaridades a mulheres vulgares que passavam desfilando carne e produtos de beleza enrolados em tecidos da moda. Ambos os lados obedeciam ao script da moda: o fino é ser grosso.

Carros passavam desobedecendo as mais elementares leis de trânsitom roncando motores turbinados e executando sons tribais em alto volume, em suas cavernosas equipagens de som. Animais no cio passavam neles, batendo a mão do lado de fora e urrando. Garrafas de cerveja voaram pelo ar no meio de uma briga e uma clareira se abriu na selva para dois símios se digladiarem usando garrafas quebradas como clavas. A chegada da polícia foi recebida com vaias, que resultaram em golpes de cassetete que fizeram os corajosos brigões caírem de quatro (mesmo com o risco de não conseguirem mais levantar). Bastou uma breve demonstram de poder para os heróis chamarem os polícias de «doutor», na subserviência conveniente dos que já assimilaram o tipo marginal: sabem-se culpados.

A polícia foi embora levando para um passeio ao xadrez os brigões. Um pouco mais tarde seus ricos pais os tiram de lá, devidamente humilhando os soldados que cumpriram seu dever. E o mundo segue com seus ruídos.

Depois da passagem da viatura o agito foi voltando aos poucos, até atingir de novo o nível extremo de antes. É preciso isso. Somente o barulho pode expressar a alma de uma juventude que não consegue ouvir o próprio coração, imerso nesse poço de mediocridade e insensatez. É preciso fazer barulho, muito barulho. Sem barulho não se existe, sem sufocar a voz alheia não se atrai a atenção, sem animalizar-se não há socialização.

Na música animalesca (não mais tribal, mas realmente animalesca), raiva, acasalamento e auto-realização oral. Ao fundo repica a batida insolentemente pré-fabricada que dá cobertura à boçalidade de alguém que decreta a perdição: «‘Tá dominado! ‘Tá tudo dominado!» Não há mais esperança: eles venceram. Está tudo dominado pela mediocridade. Resta-nos o conformismo ou o suicídio.

Sem conseguir encontrar ninguém conhecido e mais uma vez sozinho na floresta perigosa da noite, não tenho remédio senão voltar para casa cedo. Pelo menos nos bairros os ruídos insuportáveis são proibidos após às dez horas da noite, assim posso estar seguro contra a dominação se ficar escondidinho dentro de casa. Sem sequer a curiosidade de olhar o mundo por uma greta.


31
Ago 10
publicado por José Geraldo, às 08:05link do post | comentar
O cobertor de nuvens me envolvee amortece os sons enquantoeu me estendo sonolento ao ladode meu amor que respira bem suavee a lua sobe.A noite continua, eu fecho a portae deixo o livro pelo chão:a escuridão se põe em morros calmos,a estação mudou e o vento é morno.Criaturas se levantam, outras dormem.Retenha os seus sonhos, sonhos fogem.Ao gramado chega uma chuva friaque anuncia um amanhecer dourado.E o som do novo dia ergue-se do chãoe eu me apoio nele com meus pés fiéis,e meu amor respira suavemente ao meu lado,e percorro a bruma da manhã que tardaenquanto raios tímidos querem que ela arda.

Este pequeno poema é uma paráfrase, posteriormente estendida e muito modificada, da letra da canção A Pillow of Winds, do Pink Floyd. Uma das razões por que me propus a escrevê-lo foi justamente perceber o caráter “mineiro” (se é que isso é possível) da letra original, escrita Roger Waters, no tempo em que ainda não estava obcecado com o fantasma do pai. A primeira versão apareceu na Web em 2005.


25
Ago 10
publicado por José Geraldo, às 07:43link do post | comentar

Uma das noites que lembro com mais carinho é uma noite perdida no tempo, entre 1990 ou pouco depois, em que houve uma noite de música no teatro do Colégio, sob o pretexto de comemorar o Halloween — essa absurda tradição anglo-saxônica que nosso servilismo nos está levando a adotar. Pouco lembro do que aconteceu naquela noite, exceto que tocaram muito da boa estirpe de uma outra absurda tradição anglo-saxônica que nem o meu pretenso nacionalismo pôde evitar que eu adotasse — o rock’n’roll.

Depois daquele noite algo mudou dentro de mim, embora eu não saiba muito bem o quê. Algo ficou para trás, perdido e pendente, sem que eu trouxesse foto alguma de lembrança. E dessas coisas indefinidas é que se tem mais saudade.

Anos mais tarde eu estou conversando com um amigo e eis que ele, de passagem por outros assuntos se refere a essa noite em especial. Ele foi o baterista do primeiro grupo que subiu ao palco, ainda pouco depois das nove, e diz ele que foi um dos momentos mais legais de toda a sua vida.

Sempre que algum músico ameaça me contar coisas assim eu estimulo a confidência com avidez e reverência de quem sofre por não ter aprendido um instrumento. Como se faltasse em mim uma peça que eu sei que deveria ter.

Porque me faz falta nunca ter tido a chance de participar de nada assim… Mas eu, se nunca pude ter essa memória de mim mesmo, às vezes a tenho através de outros. Que sorte têm, quando faltam sonhos vivos, aqueles que têm amigos! Se você não tem a própria vida para se lembrar, invente uma!

Percebendo ou não o tamanho de meu interesse, o meu amigo desfiou a memória de seus dias de palco. Era como alimentar a um faminto. Enquanto ele me contava cada detalhe, eu me punha em seu lugar, vampirizando a emoção que ele me transferia, como se assim eu pudesse viver também um pouco aquilo.

Até que, de repente, eu me vi imerso uma outra vez na atmosfera densa da década de oitenta, época em que ser livre ainda era uma arte e estar vivo ainda não era tão perigoso. Época em que o amor ainda não precisava de escudos, em que as deusas não pareciam bonecas de plástico.

De repente me sinto subindo ao palco com eles, como se o espírito de um ex-roqueiro baixasse em mim. Ouço o rugido das guitarras, escuto lá fora a agitação do público. Uma dose de uísque virada de um gole só para esquentar o peito e demolir o muro que travava os movimentos. Quatro rapazes ainda com espinhas no rosto entram carregando instrumentos enormes, andando desajeitados enquanto são caçados com frieza pelos olhares de uma plateia que cobrava uma atitude.

Nessa hora Johnny Walker engrossa a coragem que fraqueja e os três se põem em seus lugares, engatilharam suas armas, dão um último retoque em afinações empíricas. Vaias e aplausos dão as agridoces boas-vindas, respondidas com sorrisos simples. Cada um é um guerreiro em uma grande aventura rumo ao desconhecido: a vida.

A pequena transgressão, uma garrafa de rótulo negro. Com ela desafiamos as regulamentações e as leis. Com ela desobedecemos às recomendações de nossos pais. A garrafa se transforma em um símbolo. Um símbolo que é ostentado com orgulho quase equivalente ao orgulho de ostentar o instrumento. Erguer a garrafa e sorver direto do gargalo, arrancando aplausos de crianças que querem pecar um pouco hoje.

Até que, saciado o desejo feroz de intensidade, depositam o Graal no solo e atacam um primeiro acorde para a glória. O ritmo rompe o murmúrio da multidão. Imediatamente as fronteiras de um universo que não acaba no horizonte se abrem aos que querem ouvir. E, repetindo Pink Floyd, decretam que é confortável estar mudo, e a vida não é mais que o roteiro para as lágrimas de um bufão. E todos pareceram estar fora de seus corpos, movimentando-se ao ritmo dos rifes.

A música é um pranto, um acalanto, um ato de instinto com metáforas terríveis e uma grandeza vil. Submergimos em cada acorde como se cada instante fosse o último e nunca fosse amanhecer. Nada mais somos que sonhadores. Cada segundo tinha de durar além de si mesmo, cada nota tinha de suster-se na memória do ouvinte como um convite eterno.

De repente eu acordei. Aquela noite foi uma das últimas noites. Não haverá outra. Aqueles sonhos foram dos últimos daqueles sonhos. Não se sonha mais assim.

Tempos difíceis vieram, esmagaram nossos sonhos e nos empurraram pelas ruas até um beco sem saída. Pessoas que faziam parte de nossas vidas de repente estão morando muito longe e ficaram tristes. Gente que nos amava está morta, mudou de rumo ou perdeu seu brilho. Quantas vezes eu vivi eternidades falsas que nem amanheceram; promessas de substituir cada vaga lembrança que sumiam antes que eu pudesse ter tédio.

Por isso o grupo acabou. Um deles passou num concurso, trabalhou em um banco, adquiriu tendinite, perdeu seu sorriso e hoje, nas noites de lua, toca para sua amada que sempre foi um guerreiro de aluguel e nunca teve tempo de lutar por suas próprias causas. A cada dia é maior o acúmulo de dejetos e circunstâncias entre nós mesmos e quem quisemos ser.

Outro está casado e só Johnny Walker resta para ocasional lembrança de um tempo em que a vida, a música e os amigos eram tudo que importava. A bateria talvez enferrujando num canto. Mas os amigos sempre serão amigos.

Outro sumiu. Casou? Teve filhos? Mudou-se para a Grécia ou foi catar coquinho em algum lugar? Nunca se fica sabendo. Perder o rumo é quase como perder a vida.

Fico pensando de que modo será que se sentem quando param para pensar no passado. Ganhar a vida sem sonho nos transforma em tristes, em carne morta que se move e dói.

Há maneiras aparentemente alegres de sofrer, como há tristes formas de felicidade também.

Ou será que, ao contrário de mim — que nunca na verdade vivi profundamente nada disso — eles vivem felizes e não lamentam que o mundo mudou?

Hoje, ao contrário de meus ídolos, eu estou jovem demais para o rock’n’roll, embora não velho o bastante para morrer. Mas talvez alguém ainda ache de viver. Eu tenho saudades de um mundo de que só vi o crepúsculo. Um mundo em que a juventude não era a platéia de um programa de auditório e não éramos revistados por seguranças para entrar nos locais de diversão porque todo mundo ia lá para se divertir apenas.

Tenho saudades de não ter estado nos grandes momentos do pequeno pequeno mundo de que tenho tanta saudade. Tenho saudades de não ter saudades de verdade. Lamento o encanto que nunca encontrei, a noite em que poderia ter ido com Adriana à feira de Santa Rita mas, com medo da bronca de minha avó, preferi ir para casa dormir o sono dos anjos.

Poderia ter conseguido, talvez, conquistar o coração de Simone, não fosse tão ingênuo? Lembro-me como hoje da noite em que o dia de ano novo rompeu subitamente a mediocridade e me transformou num medíocre que se acha possuidor de um bom gosto.

Lamento não existir mais ninguém capaz de compor uma canção à beira-mar ou de filosofar sobre o tempo que perde a cada dia.

Porque agora a luta de cada noite e dia não tem a mesma capacidade de afogar-nos num mar de aromas e sonhos.

É difícil saber se realmente é felicidade esta vida feliz que levamos porque não temos como sentar na varando ouvindo no rádio a canção que nos lembra o primeiro beijo, a primeira noite, o primeiro dia, o último instante, que nos remete ao próximo, que…

Em homenagem a Luiz Fernando Valverde.


22
Ago 10
publicado por José Geraldo, às 19:35link do post | comentar

Amor é algo que não se explica — ou melhor, é algo que não se discute. Ou melhor ainda, amor é. Amar à música é um desses amores fáceis, porque ela não te exige nada e te dá muito, muito prazer sensorial, muitas viagens e sonhos, muitas razões para passar bons momentos curtindo. Ou melhor, nem toda música.

Ao longo da vida a gente vai aprendendo a selecionar paixões, a discernir no meio do entulho de expressões, ilusões e experiências aquilo que realmente nos dá prazer e o que não faz falta e o que nos irrita.

Descobri assim que boa parte da música contida em meus discos é irritante, que boa parte das mulheres com quem saí é irrelevante e 90% das coisas que eu vivi foram melancólicas…

Em relação a música, eu sempre gostei de Rock Progressivo, mas andava meio afastado nos últimos anos porque faltava grana para comprar discos (e enquanto tive grana eu comprei mais de 700). Faltava também ânimo para “perder tempo” ouvindo música, diante das dificuldades que a vida impõe.

Mas de uns dias para cá o velho prazer voltou. Andei achando a custo baixo algumas pérolas inacreditáveis que antes eu só via na Enciclopédia do Rock Progressivo ou www.gepr.net e isso começou a acender de novo o gosto que andara adormecido.

À medida em que retornei ao bom e velho rock progressivo (de preferência o velho, que é mais melodioso e não tem essacontaminação eletrônica que desgraça a música de hoje) eu fui abandonando certos artistas de que antes gostara e, sinceramente, hoje bem poderia me desfazer de algumas dezenas de discos (ao mesmo tempo em que choro ter vendido minha coleção de Yes num tempo de “vacas magras”).

Uma das conseqüências de ouvir mais rock progressivo é que ando mais calmo, mais afável, mais carinhoso com a esposa e com a filha — além de mais feliz também. Porque rock progressivo tem disso: não é música para selvagens urrarem em torno da fogueira, mas para pessoas inteligentes e civilizadas ouvirem e sonharem.

Acho que hoje não vou ter muito tempo para terminar essa crônica, afinal há um monte de discos novos que eu ainda não ouvi, entre os quais a versão remasterizada de Ocean, do Eloy e um obscuro disco ítalo-alemão de 1972 chamado Analogy que é um mimo,misturando música renascentista, Pink Floyd e ópera…

Quando eu retornar de minha viagem astral eu edito o site de novo…


11
Out 09
publicado por José Geraldo, às 07:54link do post | comentar

Quando comecei a comprar meus primeiros CDs, em 1995, ainda eram primordialmente versões importadas, geralmente dos Estados Unidos ou da Alemanha. Havia uma mensagem impressa neles, ao final de uma breve seqüência de instruções para cuidado e limpeza que, afinal, não era mais do que recomendações de bom-senso: “se você seguir estas instruções, o CD lhe proporcionará uma vida inteira de puro prazer auditivo” (If you follow these instructions, the compact disc will provide you with a lifetime of listening enjoyment).

Certamente esta promessa era reconfortante. Eu tinha meus vinte e poucos anos e imaginava que viveria, no mínimo, mais uns sessenta ou setenta. A perspectiva de conservar comigo os meus discos até o fim — e talvez até legá-los a meus descendentes — era algo que imaginava muito vivamente. Por isso não hesitei em investir milhares de reais em discos. Considerando todos os que ainda tenho e os que cheguei a ter, mas vendi por não ter gostado, devo ter comprado em vida quase novecentos discos. A preços corrigidos para valores atuais, isto quer dizer que eu comprei, facilmente, mais de doze mil reais em música.

Este investimento me proporcionou, de fato, um enorme prazer auditivo. Um rápido cálculo me diz que os meus CDs contêm nada menos do que vinte e quatro mil minutos de música, ou quatrocentas horas. Considerando que ouvisse uma média de uma hora e meia por dia (o equivalente a um álbum duplo ou a dois álbuns), eu levaria 267 dias para ouvir toda a minha coleção uma única vez. Mas como eu não ouviria todos os dias, posso afirmar sem sombra de dúvida que os meus CDs equivalem a um ano do prometido prazer.

Levando mais adiante o cálculo, considerei que houve certos álbuns que eu certamente ouvi mais de uma vez. É impossível ouvir uma vez só certas pérolas, como The Dark Side of the Moon (Pink Floyd), Trespass (Genesis), Argus (Wishbone Ash), Bad Company (Bad Company), History (America), Harbour of Tears (Camel), In Rock (Deep Purple), Revoluções por Minuto (RPM), Houses of the Holy (Led Zeppelin), Molten Gold (Free), Power and the Passion (Eloy) ou Nightingales and Bombers (Manfred Mann’s Earth Band). Desta forma, não é difícil imaginar que foram, na verdade, dois anos em vez de um.

E por fim, não comprei os discos para ouvi-los uma única vez, ou mesmo para ouvi-los todos repetindo alguns. A conclusão a que cheguei foi a de certamente não conseguiria, mesmo que tentasse, enjoar da música neles gravada, pois quando tivesse acabado de ouvir o último já teria quase esquecido do primeiro.

A conseqüência disso é que rapidamente percebi que possuo mais discos do que consigo ouvir em uma vida inteira (e eu nem estou considerando os discos que peguei emprestados ou as músicas que ouvi efemeramente na Internet). Da mesma forma, hoje percebi que há certos discos que possuo há anos e que nunca ouvi, tal como um obscuro álbum de rock progressivo inglês que chegou às minhas mãos sei lá como, talvez como parte de uma barganha…

Eu poderia estar feliz com isso, imaginando que jamais me fartarei de música enquanto estiver vivo. Mas estou, em vez disso, deprimido por duas razões que apavoram meu senso musical. A primeira é que o CD é um gênero em extinção: dentro de poucos anos já não será possível comprar discos em formato tangível e o antigo prazer de folhear encartes com letras, ler fichas técnicas e contemplar fotos terá desaparecido, inclusive antes que tenha tido dinheiro e tempo para adquirir todos os discos que gostaria de possuir — e há tantos bons discos no mundo que eu ainda não ouvi. A segunda razão é que a promessa feita pelos fabricantes é uma mentira.

Não, o CD não proporciona, por mais cuidado que tenhamos, “uma vida inteira” de puro prazer auditivo. A menos que a vida a que se referem seja a de um cão doméstico ou de um hamster. O primeiro CD que eu adquiri fora fabricado em 1990, no Canadá. Sim, ele tinha um “Made in Canada” estampado. Em 2006, apenas dezesseis anos depois de feito, começou a se desfazer. O plástico esfarelava, o selo descascava e a gravação se perdeu. Tive de readquiri-lo, em uma versão nacional inferior (com capa de péssima qualidade gráfica, como é o compromisso jurado de nossas gravadoras) para poder continuar ouvindo ao épico 2112, do Rush.

Eu não submetera o disco a nenhuma intempérie a não ser alguns invernos em uma casa fria. Eu jamais tocara com os dedos a face gravada. Eu jamais o lavara com outra coisa que não água pura e detergente neutro e jamais o secara com outra coisa que não lenços de papel suavíssimos. E mesmo assim o plástico começara a apodrecer.

Agora, em 2009, percebo que há outros discos com sinais do mesmo mal. Estão sob a mesma ameaça a minha coleção completa de Deep Purple e minha série quase inteira do Wishbone Ash — entre outros. Não é verdade, os CDs não duram uma vida inteira, tal como nem todos nós duramos uma vida inteira.

Melancolicamente os transformo em arquivos digitais, que nunca têm o calor do original. E melancolicamente espero por esse estranho e imaterial futuro no qual não possuiremos nada fisicamente, para tocar, cheirar e sentir, mas apenas virtualmente, limitadamente. Mas enquanto isso me pergunto: sou eu que estou chegando ao fim da vida, ou foi a promessa do fabricante do plástico dos CDs que furou?


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